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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

de Dentro para Fora


Nascemos, crescemos, (talvez) procriamos, envelhecemos e morremos. Existe uma ordem na vida, subjugada em valores e constituída em normas dadas no campo da moral, ética e dos bons costumes.

Quando criança, tais normas me fez negar minha cor. Me fez chorar por não parecer com minha mãe, que é branca e de cabelo liso. Me fez culpar a minha vó por transcender sua negritude por toda a família. Além disso, me fez enquadrar em “padrões socialmente aceitáveis”.

Pensar neste contexto, é desconstruir toda uma identidade e adaptar-se a um meio comum. Sendo este, conjugado a partir de um mercado financeiro e político social.

Durante toda nossa vida, nos colocamos a serviço de um sistema impregnado de conceitos e pensamentos colonizadores. Estas mensagens corroem as mentes de brancos e negros que para se sentir aceitáveis, bem vistos, se enquadram nos padrões de beleza da TV, revistas, jornais, outdoor e muitas outras plataformas de informação e formação.

A desconstrução deste padrão se faz no campo da ideia e formação. Perceber-se quanto negro, talvez seja o primeiro passo. Para isso, as referências são de extrema importância.

As mudanças se iniciam de dentro para fora. Precisamos nos compreender dentro deste contexto mercadológico em que nossa cultura e costumes são desvalorizadas. Afirmar que o racismo existe é denunciar este modelo de sociedade que segue linhas europeias, baseadas na descriminação e desigualdade.

Olho para dentro de mim e a esperança de construir algo diferente toma forma. Acredito na construção de uma sociedade capaz de encarar as diferenças e refletir sobre o social, percebendo a riqueza de valores e culturas que existe em país.

Nosso estilo, nossa moda, nosso cabelo ... refletem a mistura. Estar inserido neste meio de afirmação é dá um passo de cada vez rumo a uma sociedade que possa olhar-se no espelho e encontrar a história que envolve sua vida e seu povo.

Somos parte deste povo. Nas guerrilhas da vida estamos sempre apostos, com nossos cabelos crespos referenciando uma luta e acima disso, a resistência.





segunda-feira, 7 de julho de 2014

- Assuma-se pret@ -

Condicionado. Manipulado. Fragmentado.

Fantoches vivos!

Penso e logo existo. Medito e logo existo. Relaciono-me e logo existo. Mas que existir é este?


“Pane no sistema alguém me desconfigurou. A onde estão meus olhos de robô?
Eu não sabia, eu não tinha percebido. Eu sempre Achei que era vivo.” – Pitty

Ao escrever “Admirável Chip Novo” a cantora e compositora Pitty questiona e crítica o modelo social vigente, com ênfase no papel que cada individuo possui neste contexto.

Pensar nisto é observar o lugar que nos é dado nesta sociedade. O Preto, com seu cabelo crespo, historicamente lhe coube o papel de servir o senhor branco. Restando apenas a condição de seguir uma linha mercadológica da força de trabalho para sobreviver.

Essa postura foi uma escolha? Claro que não. Mas com o desenvolvimento tecnológico impregnado na construção da sociedade capitalista, confere poucas opções para a sobrevivência do negro que durante décadas foi escravizado.

Enquanto o negro estava nos grandes canaviais, e nos monocultivos de cacau e mandioca, o branco encontrava-se sentado, estudando, virando doutor.

Quem é o negro hoje?

Precisamos questionar está imagem negra diante da sociedade que se perpetua hoje.

Isso se torna nítido quando nossa cultura e religião é descriminada preconceituosamente. Vale a pena lembrar, que estes aspectos são frutos de uma imposição branca que determinou o catequismo e demonizou o candomblé.

Desde o inicio da história brasileiro nós negros, fomos colocados a margem de qualquer desenvolvimento social e cultural. Esteticamente, estamos carregados de estereótipos. Para fugir desta marginalização, é preciso negar. Negar o cabelo, a cor, cultura e religião.

Por isso questiono: - quem é você? – aonde você se encontra?



Pensando nestas questões, sempre nos caímos sobre a identidade, ou melhor, a construção de um individuo social que diante de um turbilhão de intervenções midiáticas e tecnológicas resignifica sua postura e seu modo de visualizar o mundo. Muitas vezes, perdendo valores históricos e significativos.

Stuart Hall, ao compreender a complexidade que se encontra a construção de uma identidade autentica na pôs modernidade, diz que “a identidade é realmente algo formado, ao longo do tempo, através de processos inconscientes, e não algo inato, existente na consciência no momento do nascimento. Existe sempre algo ‘imaginário’ ou fantasiado sobre sua unidade. Ela permanece sempre incompleta, está sempre ‘em processo’, sempre sendo formada”.

Não quero trazer a academia, teorizando esta reflexão, mas considero importante nos visualizarmos quanto sujeitos autônomos e capazes de construir, apesar de tantas influências, uma identidade negra. Sendo esta, vinculado a valores que levantam a sua alto estima e te protagoniza num universo manipulado culturalmente.

Ficou mais fácil responder QUEM VOCÊ É?


Os fragmentos deste modelo social recai cotidianamente sobre nós negros. Assumir uma postura contraria é reconhecer-se como sujeito construtor.

Pode parecer bobagem, mas veja como é difícil assumir um cabelo crespo. Assumir sua origem. Quem você é esteticamente.

Porém, este passo significa muito diante de uma história coletiva que sempre foi desumanizada.


#InspiraçõesBlack










Consegue se reconhecer?


terça-feira, 27 de maio de 2014

“O mais importante é você se amar”

- Existe um tipo de amor que só os negros possuem.
Existe uma marca no peito que só os negros vêem.
Existe um Sol cansativo que só os negros resistem. -
Éle Semog

“Eu tenho a minha opinião formada. Não me preocupo com o que os outros vão pensar e dizer. Quando o assunto é meu cabelo, ele diz respeito apenas a mim”, foi com essa garra e personalidade forte que Eliden Carine (19), estudante, em entrevista para o Oxente Preta conta sobre sua experiência em assumir seu cabelo crespo.


A expectativa dada por Ela baseava-se na procura de uma identidade que ainda não estava alicerçada em seu ideal. “Certo dia, meio que involuntário, me perguntei, por quê não?”.

O corte do cabelo, retirando toda a química, conhecido como “Big Shop” é dado como um processo doloroso e difícil. Já Carine encarou todo este momento como um passo que resignificaria sua imagem e traria a tona uma representativa que vai além dos estereótipos de beleza.

“Lembro como se fosse hoje, as pessoas me paravam na rua para perguntar que loucura foi essa que eu fiz. Eles afirmavam: - seu cabelo está muito diferente, ficou estranho. As crianças perguntavam: - por que você fez isso tia?”, destaca.

Um novo olhar

Percebemos como é nítido que o processo de entender-se como sujeito negro e reafirmar essa postura, não é apenas uma decisão que perpassa os interesses particulares de uma pessoa, pelo contrário, se envolve neste ciclo todo âmbito familiar e afetivo.

Olhar-se, compreender-se, analisar-se é uma construção social. O que somos hoje é um reflexo de uma aprendizagem anterior. Porém, este momento, envolve também a maneira como nossa formação (ideológica) determina novos valores.

Vivemos em uma cultura de brancos. A beleza negra é inferiorizada, junto com nossa cultura e religião. Para comprovar essas afirmações pesquise os livros de história e você verá que todo o nosso processo de construção quanto negros, foi arrancado de nós pelas chibatas, fome e mortes.

Entender esta construção histórica é perceber como esses aspectos refletem a nossa postura quanto NEGROS hoje.

O racismo

“O racimo existe e somos prova disso. Eu sou Afro-Descendente. Esta é minha raiz. Quando uma pessoa não respeita nossa história e não consegue entender a maneira que nos expressamos através de nossa estética, descriminando, isso é racismo”, enfatiza Carine.

Para além das questões de cunho discriminatórios raciais, Eliden fala também da mídia como poderosa ferramenta de alienação e subversão de valores.

Ela acredita que moramos num país com mistura de cores, raças e personalidades, “não existe um único padrão de beleza, mas os meios de comunicação estão aí exatamente para pregar a individualidade e uma única forma de se ver e se considerar bonita ou bonito. A beleza faz parte de nossa história, somos um reflexo dela. Devemos nos emancipar quanto negros”, enfatiza.

Dialogando com todas/os que acompanham as publicações do Oxente Preta, Eliden Carine, com o seu lindo cabelo crespo e personalidade única, acredita que amar-se é primeiro passo para assumir-se.

“Se você possui uma opinião formada, sobre quem você é, o que as pessoas irão dizer não significará nada para você. O que é construtivo precisa ser somado a este momento de transição, aquilo que não agrega nenhum valor a sua vida, jogue fora sem pensar duas vezes. Use as críticas construtivas para estar levantando sua alto estima, porém, o mais importante é você se amar”, conclui.

Eliden Carine e EU*





terça-feira, 20 de novembro de 2012

Para não passar em branco: DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Vamos esclarecer o dia 20 de novembro, não quer dizer que tudo o que foi feito contra o negro será redimido hoje, quer dizer que hoje é um dia especial para refletir tudo o que aconteceu. Coisas ruins e as coisa boas também, fiquem com a minha visão e consciência:




Hoje é o dia da consciência negra e por algum motivo, todos nos sentimos mais negros hoje, mas quero deixar claro que eu acredito que devemos ser conscientes todos os dias. Demonstrar o respeito e o orgulho de sermos negros (e não falo sobre a pele, falo sobre a mistura, somos um povo miscigenados com orgulho) sempre, deixar o preconceito e o racismo correr pelo ralo, afinal todos temos um pé na africa, somos brasileiros, filhos de negros, índios, portugueses, somos a mistura e somos o mundo. O mundo é como o Brasil, uma grande mistura cheia de traços diferentes e hoje eu gostaria que falássemos uma única língua... A LÍNGUA DO AMOR!

Emile Brito